A cidade-estado de Esparta, situada nas beiras do rio Eurotas, na região do Peloponeso, na Grécia, foi um dos fenômenos mais fascinantes da história em todos os tempos, tão fascinante que até seus vizinhos e rivais, os atenienses , dedicaram-lhe longos estudos sobre os usos, costumes e instituições lá vigentes. Aliás é graças a eles, aos filósofos, a historiadores e pedagogos atenienses: a Platão, a Xenofonte, a Aristóteles, a Isócrates e a Plutarco , que sabemos como os espartanos viveram.
O cenário histórico
“Todo o sistema da legislação dos lacedemônios visa uma parte das qualidades do homem – o valor militar, por este ser útil nas conquistas; consequentemente a força dos lacedemônios foi preservada enquanto eles tiveram em guerra , mas começou a declinar quando eles construíram um império, porque não sabiam como viver em paz, e não foram preparados para qualquer forma de atividade mais importante para eles do que a militar.”Aristóteles “Política”, 1271 b
Esparta, por força das circunstâncias da ocupação dória, de quem descendiam seus habitantes, petrificou-se no tempo. A sua estrutura social e seu rígido militarismo pouco mudaram ao longo dos cinco séculos de história. Era uma sociedade que, desde que adotou as leis de Licurgo, quase nada conheceu do que pode se chamar de evolução de um regime político. A razão disso foi que os espartanos, desde os começos quando chegaram à Lacedemônia como povo invasor, tiveram que enfrentar uma população hostil que os superava varias vezes em número e que rebelava-se contra eles a mínima hesitação. Para afirmar-se nela como conquistadores e dominá-la, tiveram que sacrificar-se integralmente àquele tipo de vida. Desta maneira tornaram-se fóbicos à mudanças e à novidades. Como já se disse no passado e foi lembrado mais recentemente por Arnold Toynbee, “os espartanos tornaram-se escravos dos seus escravos”.
Excentricidades de Esparta
Constitucionalmente a polis espartana tinha algumas excentricidades. Por exemplo, ela era governada por uma diarquia, isto é, tinha dois reis que se revezavam no trono. Os monarcas (archangentai) descendentes das duas casas reais (a dos Agiadai e a dos Eurypontidai), eram controlados por um Senado (Gerúsia) composto de 28 senadores (gerontos), com poderes equivalentes ao dos monarcas e que atuava como uma espécie de órgão intermediário entre os cidadãos e o rei, tendo, segundo Platão, a função de lastro, dando estabilidade ao sistema.. Para o controle geral da sociedade aprovaram, em tempos posteriores, uma espécie de regime de fiscais – o eforato – composto por cinco éforos, ou magistrados, eleitos pelo povo, que controlavam todos os aspectos da vida espartana, inclusive corrigindo e censurando os reis. Devido à militarização generalizada dos costumes deles, chegaram a desenvolver uma linguagem própria, o laconismo: uma fala telegráfica que procurava expressar-se com o mínimo possível de palavras. Obviamente, numa sociedade em que não se cultivava a democracia nem o fascínio pela oratória, não era necessário um estudo muito profundo das coisas nem estimulava-se os discursos retóricos, muito menos a especulação filosófica.
Licurgo
Os espartanos atribuíam a existência da sua severa e abrangente legislação a Licurgo ( que viveu provavelmente entre os séculos 9 e 6 a. C.), tido entre eles como emérito estadista, uma espécie de pai da nação, um personagem quase que mitológico, pois diziam-no descendente de Hércules. O grande homem teria implantado o seu rigoroso código, o código licúrgico, chamado de a Grande Rhetra, famoso em todo o mundo antigo, depois de ter feito uma peregrinação por várias cidades-estados da sua época, impressionando-se vivamente com os costumes existentes em Creta, onde conheceu o poeta Tales, igualmente célebres por sua rigidez. Ao retornar, depois de ter passado pelo oráculo de Delfos e de entrar em contanto com a obra de Homero, de quem selecionou fragmentos das passagens belicosas, conseguiu impô-los pela persuasão e pela força à maioria dos seus concidadãos. Erguendo então os templos a Zeus Syllanius e à Atena Syllania como protetores e fiadores da constituição. Fazendo com que mais tarde o poeta Terpanto celebrasse a virtude dos espartanos dizendo: “A lança deles era forte, a música deles era suave, entre eles a justiça tinha um lugar honrado”
8 respostas até agora ↓
Neto Kops // Junho 11, 2007 às 5:06 pm |
Olá! Só passando para dar uma lida. Muito bom esse texto! Vou pôr seu site no blogroll de meu blog. Alguns post atrás, eu manifestei uma dúvida sobre a relação Esparta X Persa . Será que você poderia responder-me ? Obrigado.
robson // Junho 23, 2007 às 7:21 am |
Olá,sou apaixonado por mitologia!Isso aconteceu mesmo?Isso ninguem pode afirmar né?
Joaquim Olimpio // Julho 25, 2007 às 10:13 am |
Gostaria se possivél vcs me informarem livros que falem da vida de Esparta.
Isabela Vito Costa // Setembro 13, 2007 às 10:31 pm |
muito legal aqui!
fiz o meu trabalho e deu certo !
tirei dez !
Jorge Costa // Novembro 12, 2007 às 9:11 am |
Texto muito interessante que de uma forma rápida dá-nos um perspectiva geral da formação legislativa de Esparta lançando pistas para outras investigações! Muito bom!
josias junior // Novembro 23, 2007 às 1:35 pm |
sou um espirito espartano e sou jaguar muito me alegra essa volta dos espartanos no brasil obrigado senhor pai de todas as coisas
Luana // Agosto 30, 2008 às 2:46 am |
Gostaria de saber sobre Papirusm o guerreiro…
se ele existiu mesmo e tudo ou apenas mas uma “mitologia”…
Obrigado
mel // Fevereiro 19, 2009 às 7:41 pm |
eu achei essa foto muito legal